MANUAL BÁSICO SOBRE TARÔ

Quando se trata
do assunto muitas dúvidas começam a surgir em nossa mente ,
pois atualmente o Tarô é um instrumento bastante conhecido e
divulgado. A questão aqui é esclarecer algumas perguntas frequentes,
afinal de contas, com a ampliação desse conhecimento houve,
naturalmente, algumas distorções. A facilidade que encontramos
no mercado atual de obter informações `a respeito do Tarô
possibilita muitas vezes um conhecimento com aspecto de Delivery,
gerando assim bifurcações em alguns temas ou interpretações
, nublando e confundindo ainda mais esses aspectos.
Por isso esse FAQ foi criado - para esclarecer tópicos
básicos sobre o Livro Sagrado , alguns pontos imutáveis dentro
da História do Tarô. A partir daí cada um pode seguir
a linha que lhe causar maior identificação.
O importante é saber, pelo menos, qual o ponto de partida...
FAQ (Frequentlyy Asked Questions)
O Que é
o Tarô?
O Tarô é um baralho com 78 cartas (lâminas) `as quais chamamos
de Arcanos (derivado de Arcanum = segredo, mistério).Sua formação
definitiva deu-se com o passar do tempo, entre os séculos 14 e 17.
Após esse período designou-se o Tarô como uma ferramenta
que possui 78 cartas. Por isso, qualquer outro instrumento que não
contenha esse número de cartas não trata-se de Tarô, assim,
não deve ser interpretado como tal.
De Onde surgiu?
O Tarô tem seus primeiros registros no século14 e a partir daí
desenvolveu-se até chegar em sua formação atual.Quem
o criou não sabemos, mas é comprovado que não tem origem
egípcia ou mesmo cigana. As alusões feitas nesse sentido partem
de autores de épocas anteriores que, em suas pesquisas, buscavam uma
explicação para seu surgimento e finalidade.
Para que o
Tarô era utilizado antigamente?
A princípio não era visto como um jogo de adivinhação,
nem divinação.Não há registros de conteúdo
Oracular nos primeiros séculos (14, 15,16). Essa função
surgiu com o passar do tempo e estudos posteriores, ampliando sua finalidade,principalmente
por mulheres, que utilizavam muito o conteúdo divinatório. Era
muito usado como um Jogo lúdico entre os nobres e mais tarde caiu no
conhecimento público para se desenvolver em todos os seus formatos.
Para que serve
o Tarô?
Atualmente o Tarô possibilita milhares de formas em seu uso e muitas
interpretações ( fato que pede atenção aos alunos
e estudantes na área!).Os formatos mais conhecidos são: Oracular,
Filosófico, Terapêutico, Meditação e para Auto-conhecimento.Porém,
cabe ainda mais possibilidades dentro desse instrumento: orientação,
aconselhamento, estudo,pesquisa,etc.
O Tarô
funciona?
Sim! As cartas não mentem jamais...quem pode se equivocar
é o tarólogo ou intérprete. Contamos com muitas maneiras
de ler o tarô e quando se trata de interpretação
a margem de erroé pequena, basta estudar e se aprofundar.A
questão é que com o desenvolvimento e conhecimento da Arte contamos
com muitos achismos, ou seja: a visão PESSOAL que se tem
do Arcano- fato que não encerra seu conteúdo. Portanto, o Tarô
funciona, comporta em si alguns ingredientes fantásticos que combinados
formam o grande mistério questionado por todos: a carta
escolhida , a interpretação bem elaborada e o método
mais aconselhável. Assim, o Tarô funciona e muito!
Preciso ter
um dom ou ser vidente para ler o Tarô?
Não.Muitas pessoas dotadas de forte intuição ou vidência
utilizam o Tarô, mas a partir do momento que contamos com essa ferramenta
como uma fonte infindável de estudos e possibilidades devemos também
acreditar e saber que o Tarô pode ser interpretado por qualquer pessoa
que tenha inteligência, raciocínio e compreensão simbólica
(todos possuem essas capacidades, basta desenvolvê-las).
Estudar Tarô
é fácil? É rápido?
Não. Para quem deseja realmente aprender o Tarô basta dizer que
tem estudo para toda uma Vida e mais algumas...Não se aprende a interpretar
as Cartas da noite para o dia, não há uma fórmula mágica
para isso. É preciso: dedicação, interesse , disciplina
e seriedade.Não é fácil pois precisamos romper alguns
padrões mentais, preconceitos e julgamentos pessoais a fim de compreender
toda sua estrutura e possibilidades.
O Tarô
é Misticismo?
Não.O Tarô é um método, um livro com páginas
soltas, um compilado de mensagens a serem traduzidas e interpretadas. O Misticismo
não está presente necessariamente, apesar de ser muitas vezes
agregado `a leitura.Por exemplo: se colocar um amuleto em minha mesa de atendimento
não terei um jogo melhor ou pior.O fator místico, aqui, pode
auxiliar o INTERPRETE, mas não o instrumento em si. Ele existe independente
de objetos e segmentos místicos. O ato de mistificar (no sentido literal
da palavra) é agregado `a ilusão ou enganação
e isso não ocorre quando tratamos de assunto tão profundo, estudado
e comprovado.O Misticismo traz a tendência de acreditar no sobrenatural,
e aqui falamos de algo palpável, analisado e interpretado sem brumas
ou mistérios, além daqueles que serão desvendados numa
leitura - justamente por serem descobertos deixam a desejar no sentido místico.
Qual o melhor
Tarô para utilizar?
Aquele de sua preferência.Desde que possua o número correto de
cartas(78).Existem profissionais que se especializam num só tipo de
Tarô mas certamente podem interpretar qualquer um existente.
Qual o Tarô
mais indicado para aprender a interpretar?
Normalmente é indicado o Tarô Clássico pois segue o padrão
original e tradicional.Com o tempo, os símbolos já estão
mais fluidos em nossa mente e ficamos tentados a conhecer e trabalhar com
os outros tipos .
Quais os Tipos
de Tarô?
Basicamente temos os Tarôs: Clássico, Moderno,Transcultural e
Surrealista.O Clássico possui símbolos e elementos tradicionais,
usados desde os primeiros registros e são fiéis aos padrões
originais. Os Modernos contém desenhos mais variados e alguns símbolos
novos - surgiram no início do século 20.Já os Transculturais
(que contam lendas ou mitos através das cartas) foram criados na década
de 70, juntamente com os surrealistas que possuem desenhos literalmente surreais
e simbologia eventualmente alterada.
O Tarô
precisa ser consagrado?
Não necessariamente. Cada um estipula sua relação com
seu instrumento, mas não há regra que defina essa obrigatoriedade.Essas
normas são mais necessárias para o profissional que para o próprio
Tarô.
Posso ser
influenciado pela energia do consulente?
A menos que você permita, não! Usando a interpretação
e a técnica ficamos isentos de envolvimento. O ideal é sempre
trabalharmos com o Tarô numa leitura imparcial, sem reflexos pessoais.O
uso da intuição pode, sim, afetar a leitura e distorcer o momento
de vida do cliente pois, caso haja identificação entre tarólogo
e consulente, não há como distinguir claramente o que está
sendo interpretado ou transferido.
Qual o melhor
método para se utilizar?
Existem inúmeros métodos, alguns mais conhecidos e outros nem
tanto.Devemos nos ater aos métodos mais estudados , bem adaptados e
pesquisados para que sua leitura funcione sempre. Existem métodos que
não funcionam na coletividade , apenas pessoalmente. Por isso, desde
que o método seja eficaz , o que determina seu uso é a questão
a ser abordada.Por exemplo: se desejamos ter uma visão geral de nossa
vida não usaremos um método que enfoca apenas uma área
específica; assim como, para questões direcionadas, não
resolveria utilizar um método muito genérico. Procure sempre
atender `as necessidades do cliente, não `as suas preferências
pessoais.
O Tarô
prevê o futuro?
Num curto prazo de tempo, sim.O Tarô busca respostas atuais, para o
momento de vida da pessoa. Assim, caso queira tendências mais amplas
ou fixas deve procurar ciências que comportam essa linguagem, como a
Numerologia, Astrologia, Quirologia, etc. O Tarô avalia fases, momentos,
períodos e não tem o cunho fixo, apenas transitório.Não
avaliamos a natureza do indivíduo, mas o período que vive e
como pode estar facilitando o aprendizado dentro de sua natureza.
Posso ler
para mim mesmo?
Atualmente os profissionais dedicados aos estudos do Tarô divergem nesse
ponto.Pessoalmente costumo indicar o aprendizado para si e para o outro. Acredito
que somente temos consciência e respeito pelo cliente quando sabemos,
através de nós mesmos, o quanto funciona e como devemos proceder
num atendimento.O auto-conhecimento é fundamental para que extendamos
as informações aos interessados.
O Tarô
pode mudar minha vida?
Depende de você. O intento não é tirar seu livre-arbítrio
nem sua expontaneidade de Vida; ao contrário, contamos com ela para
que façamos uma leitura melhor.Ao realizar um atendimento devemos saber
que orientamos tendências e possibilidades , não determinamos
nem ordenamos nada.Para quem o estuda há muita transformação
pois precisamos, antes de mais nada, alterar nossos padrões e valores
a fim de compreender a linguagem simbólica (que existe além
dos preconceitos sociais vigentes).Essa mudança ocorre paralelamente
ao estudo do Tarô, conforme nos aprofundamos em seu conteúdo
e vemos um Universo ilimitado de possibilidades. O jogo pode auxiliar o processo
de mudança, mas não resolve os problemas existentes nem determina
esse acontecimento sem a opção e decisão do consulente.
Qual a estrutura
básica do Tarô?
Como dito anteriormente, o Tarô possui 78 Cartas, divididas em 2 grupos
distintos: Arcanos Maiores e Arcanos Menores.O primeiro grupo é formado
por 22 cartas e o segundo por 56 Cartas.
O que são
os Arcanos Maiores?
Tratam-se da parte mais conhecida e comentada do Tarô, por conterem,
desde seu surgimento : figuras, personagens ou elementos míticos.Eles
tratam do lado comportamental, interno,filosófico e abrangente do Ser
Humano. Por isso, muitas vezes, intitulamos como o Macrocosmo.A maior carga
simbólica está presente nessas Cartas, com riqueza de adornos
e detalhes, instigando a interpretação e o estudo filosófico.
O que são
os Arcanos Menores?
São aqueles, infelizmente, menos utilizados e conhecidos (apesar de
fazerem parte integral do Tarô).Originalmente não possuíam
desenhos, apenas representavam o número e se referiam ao naipe, como
por exemplo: o Arcano 4 de Copas continha apenas 4 taças, o naipe e
número respectivos.Atualmente, os Tarôs Modernos trazem figuras
também nesses Arcanos, representando seu significado, porém
dependem da interpretação de quem os elaborou, desenhou ou idealizou.Por
isso alguns Tarôs diferem na representação dos Arcanos
Menores, pois um idealizador cabalista certamente mostrará aspectos
que um simbologista ou ocultista relatariam de forma diversa.Vale lembrar:
seguindo a simbologia, todos trarão o mesmo elemento representativo,
e a análise do número associada ao naipe (ouros,espadas,copas
e paus) é que define o resultado, não o desenho em si.Muitos
Tarôs são fiéis `a representação do Arcano,
outros nem tanto.Esse conjunto de Cartas trata do cotidiano, o aspecto prático
de lidar com o comportamental e filosófico: como estou agindo, pensando,
concretizando ,sonhando ou lutando pela questão abordada. São
muito importantes para complementar o contexto que os Arcanos Maiores apresentam.
Assim, muitas vezes são reconhecidos como o Microcosmo.
Qual a diferença
entre o baralho comum e os Arcanos Menores?
Se analisarmos rapidamente notamos que o baralho possui 52 cartas e os Arcanos
Menores contém 56 cartas (Diferença estrutural).Isso porque,
na corte contamos com uma carta a mais: o Pajem ou Princesa.Portanto, no baralho
comum temos: Valete, Dama e Rei.Nos Arcanos Menores contamos com: Pajem (ou
Princesa), Cavaleiro(Príncipe), Rainha e Rei.Posteriormente notamos
que a análise e estudos divergem amplamente.Logo, podemos afirmar que
a Cartomancia é bastante diversa do Tarô (Taromancia) não
só pela sua estrutura mas pela interpretação e finalidade.
Para entender
o Tarô preciso estudar a Cabala?
Não. O que ocorre é que muitos cabalistas alimentam uma simpatia
pelo Tarô ( e vice-versa) encontrando pontos semelhantes em seus estudos,
mas isso não é regra, é opção. Muitos tarólogos,
competentes, utilizam apenas o Tarô e não possuem conhecimento
algum sobre Cabala.Volto a dizer: o Tarô não exige nada, quem
delega essas características são os Homens .Com o estudo frequente
sentimo-nos tentados a conhecer outros segmentos a fim de ampliar os conhecimentos
e compreender todas as associações feitas ao longo do tempo.
Posso aprender
através de livros?
Sim, mas com ressalvas: a prática é primordial ao desenvolvimento
do tarólogo e o estudo acompanhado de explicações técnicas
se faz bastante necessário. Cada autor trabalha um segmento baseado
em suas pesquisas e estudos. É importante saber os conceitos principais
e originais para poder, inclusive, acrescentar qualidade aos livros que lê!
Quais os livros
indicados?
No Brasil estamos melhorando a cada dia a literatura científica - esotérica,
temos diversos autores competentes e elucidativos.Tudo depende da maneira
que deseja trabalhar com o Tarô. Com o crescimento dessa área
contamos com psicólogos, terapeutas, tarólogos, ocultistas,
cabalistas e diversos profissionais que redigem sobre o assunto.O que é
importante saber é que esses livros fazem parte de um Todo, não
encerram o assunto em si.Se optarmos pelo Livro do Tarô Mitológico,
por exemplo, teremos um enfoque mítico, rico, mas que não encerra
a filosofia dos Arcanos. Idem ao Tarô de Marselha, o Tarô de Thot
(Aleister Crowley), etc.Todos são livros de qualidade, mas vêm
acrescentar e não apenas determinar suas palavras como verdade única
ou absoluta. Precisamos primeiro, aprender a ler um livro de Tarô, para
podermos usufruir de todas as suas possibilidades. Tecnicamente, indico a
Trilogia recém lançada pelo autor brasileiro, Nei Naiff (Tarô,
Ocultismo e Modernidade; Tarô, Vida e Destino - Editora Elevação)
para consulta e apreciação. Essa trilogia traça todo
o surgimento do Tarô, sua História, métodos de consulta,explicações
detalhadas, os Arcanos Maiores e Menores, entre tantos assuntos importantes
ao estudo do Tarô.A partir daí a pesquisa certamente adquirirá
um rumo especial e individual.
Por Kelma
Mazziero (Taróloga e Terapeuta)- membro do ITS (International Tarot
Society; Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American Tarot
Association; CRT 31440)
E-mail: kelma@ajato.com.br
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