O TRISKLE

Este importante
símbolo, também conhecido como triskele ou triskelion, é
uma espécie de estrela de três pontas, geralmente curvadas, o
que confere ao símbolo uma graciosa fluidez de movimento. Pode ainda
ser definida como um conjunto de três espirais concêntricas. É
um dos elementos mais presentes na arte Celta, e tem sua origem atribuída
aos povos mesolíticos e neolíticos. O autor J.A. McCulloch,
em seu livro "The Religion of the Ancient Celts", afirma:
Os Celtas consideravam o três como sendo um número sagrado. A
primitiva divisão do ano em três estações - primavera,
verão e inverno - pode ter tido seu efeito na triplicação
de uma deusa da fertilidade com a qual o curso das estações
era associado.
Ou seja, o triskle,
com suas três pontas, está associado ao fluxo das estações
- simplesmente a base da religião da Deusa Terra - e por conseqüência
representa a própria Deusa. Ademais, temos uma conexão óbvia
com as três faces da Deusa (Donzela, Mãe e Anciã), bem como
às três fases da lua (crescente, cheia e minguante), ou ainda com
nossa natureza tríplice (corpo, mente e alma). Assim sendo, fica clara
a importância do triskle para a religião da Deusa. Sua presença
em achados arqueológicos em terras celtas, da Irlanda à Europa
Oriental, atesta sua ampla adoção pelos Antigos.
A importância do número três é novamente atestada
no parágrafo abaixo, de Proinsias MacCana (The Celts - The Insular Celts):
A iconografia continental (...) atribui grande ênfase ao simbolismo da tríade, o conceito da triplicidade, e o conteúdo mítico-literal ausente no continente é amplamente fornecido pela infindável variação desse tema na literatura irlandesa e galesa.
Outro autor, o escocês Tadgh MacCrossan, membro da Druidactos, sediada na Grã-Bretanha) e autor de diversos livros sobre o paganismo celta, afirma em um deles (The Sacred Cauldron):
O triskele ou tryfot é um antigo símbolo indo-europeu. Também era utilizado por povos germânicos e gregos.
Historicaemente
falando, os indo-europeus são o povo que posteriormente viria a originar
os celtas. Assim sendo, atribuir a origem do triskle aos indo-europeus é
mais uma vez atestar sua ligação definitiva com a Religião
da Deusa. Na Irlanda, país onde abundam sítios arqueológicos
celtas, temos um sem-número de objetos decorados com triskles.
Novamente o autor J.A. McCulloch, que afirma:
As Imagens dos
deuses na Gália podem ser classificadas através de seus símbolos
- o malho e o cálice (símbolo da fartura) carregados pelo deus
com o martelo, a roda do deus-sol, a cornucópia e o torque nas mãos
de Cernunnos. Outros símbolos surgem em altares, monumentos e moedas.
São eles a Suástica e o Triskele, provavelmente símbolos
do sol; círculos simples ou concêntricos, por vezes com raios;
cruzes, e uma curiosa figura em 'S'. O triskele e os círculos são
por vezes encontrados em rostos representados em moedas. Podem, assim, ter sido
tatuagens de caráter simbólico.
Texto adaptado do livro "A Religião da Grande Deusa" - Editora Gaia , de Claudio Crow Quintino