Como muitos de vocês sabem, sou tradutor e professor de inglês por formação. Como tradutor, sempre fui muito criterioso e chato, pois a tradução é um trabalho delicado, no qual o texto do autor deve ser preservado em intenção, linguagem e formalidade.
Mas vamos ao que interessa:
Quando
o livro "Wicca Craft" de Gerina Dunwich foi lançado no Brasil
em 1992 como "Wicca: A Feitiçaria Moderna", a tradutora adotou
a palavra "Wiccaniano" como tradução para o vocábulo
inglês "Wiccan". Outras pessoas que já estudavam Wicca
naquela época (eu incluso) preferiam a palavra "Wiccano".
Nos livros que traduzo e escrevo, uso a palavra "Wiccano". Por que?
Por uma razão simples, lógica e inquestionável. Sempre que temos que traduzir uma palavra nova (neologismo), diz o bom senso que se deva procurar uma palavra semelhante no idioma original.
Um exemplo prático:
"Wicca"
tem a mesma terminação em inglês que "America";
Em inglês, o adjetivo derivado de "America" é "American",
certo?
O mesmo ocorre em inglês com "Wicca" e "Wiccan", certo?
Se em português o adjetivo derivado de "América" é americANO, é óbvio, natural, lógico, sensato, que o adjetivo derivado de "Wicca" seja "WiccANO".
Senão, quando usamos Wiccaniano, por uma questão de coerência teríamos de usar "americaniano"... o que não tem sentido.
Isto
posto, fica claro que usar Wiccaniano é um erro, uma violência
à língua portuguesa (uma língua tão bela, e tão
maltratada...)
Se queremos que a Wicca seja respeitada no Brasil, devemos antes respeitar a nossa própria língua. E, cá entre nós, usar a língua de forma incorreta tira a credibilidade...
Slán agus Solas,
Claudio
Crow Quintino
Claudio
Crow Quintino (fev.-abr. 2001)
Claudio Crow
Quintino é pesquisador e autor de "O Livro da Mitologia Celta"
- Hi-Brasil Editora
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